Como sair das planilhas sem parar a operação
A planilha sustenta operações inteiras muito além do ponto em que deveria. Quando ela ainda é a ferramenta certa, quando passou do ponto e como fazer...
"Valeu a pena?" é a pergunta que ninguém consegue responder porque ninguém mediu o antes. Os quatro tipos de ganho, a conta de custo completa e os vieses que destroem a credibilidade da medição.
Mário Lucas 4 min de leitura
"Valeu a pena?" é a pergunta que a diretoria faz seis meses depois do go-live, e é a pergunta que a maioria das empresas não consegue responder — porque ninguém mediu como as coisas estavam antes.
Medir retorno de software não é difícil. É só uma coisa que precisa ser combinada no começo, não no fim.
Esta é a regra que decide tudo o resto. No momento em que você define o que é sucesso, meça o estado atual daquele indicador. Sem o número de partida, qualquer melhoria depois vira opinião — e opinião não sustenta a decisão de investir na próxima fase.
Bastam dois ou três indicadores, medidos de forma simples. Não é preciso instrumentar a empresa inteira.
O mais direto de calcular. Horas por semana em trabalho manual, multiplicadas pelo custo da hora e por 52 semanas. Cuidado com a interpretação: o ganho real só existe se aquele tempo foi realocado para algo produtivo. Se ninguém foi desligado e ninguém passou a fazer mais, o ganho é de capacidade, não de caixa — o que ainda vale, mas precisa ser dito com essas palavras.
Pedido digitado errado, valor cobrado a menos, retrabalho de conferência, multa por prazo perdido. Levante quantos aconteceram no último ano e quanto custou cada um. É frequentemente o maior número da conta, e quase sempre o mais esquecido.
Atender mais clientes com a mesma equipe, cobrar por um serviço que antes não era controlável, reduzir a inadimplência porque a cobrança ficou organizada, fechar o mês mais rápido e faturar antes. É o ganho mais difícil de isolar e o mais relevante estrategicamente.
Licenças que deixaram de ser pagas, módulos cancelados, serviços terceirizados internalizados, papel e impressão que sumiram do processo.
Retorno só é confiável se o lado do custo estiver completo. Some, para o mesmo período:
Compare em janela de três anos, não de um. Projeto de software concentra custo no início e distribui benefício ao longo do tempo — olhar só o primeiro ano faz quase todo projeto parecer ruim.
Atribuir tudo ao sistema. Se a receita cresceu 20% no período, parte disso é mercado, parte é equipe, parte é o software. Inflar o número destrói a credibilidade da medição na próxima vez que você pedir orçamento.
Medir cedo demais. Nos primeiros dois meses a produtividade costuma cair: a equipe está aprendendo e o processo está sendo ajustado. Medir nessa janela produz um resultado falso e desanimador. Espere o uso estabilizar antes de comparar.
Alguns benefícios são reais e não viram número: saber quanto se vendeu sem pedir relatório a alguém, conseguir provar o que foi feito quando um cliente questiona, não depender de uma única pessoa para entender como o processo funciona, dormir sabendo que existe backup testado.
Não force esses itens para dentro da conta financeira. Liste-os à parte, com honestidade — eles costumam pesar na decisão tanto quanto os números.
Se você está prestes a começar um projeto e quer definir os indicadores antes de escrever a primeira linha de código, fale com a Sixtec.
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