Por que a equipe não usa o sistema novo (e como resolver)
Sistema que funciona mas ninguém usa é o fracasso mais caro de um projeto. As seis causas reais da baixa adoção, o que fazer em cada uma e os dois núm...
A planilha sustenta operações inteiras muito além do ponto em que deveria. Quando ela ainda é a ferramenta certa, quando passou do ponto e como fazer a transição sem parar a empresa.
Mário Lucas 4 min de leitura
A planilha é o software mais bem-sucedido da história das empresas brasileiras. Ela é gratuita, todo mundo sabe usar, aceita qualquer formato e nunca diz não. É exatamente por isso que ela sustenta operações inteiras muito além do ponto em que deveria.
Sair dela não é difícil por questão técnica. É difícil porque a planilha está funcionando — mal, mas funcionando — e a operação não pode parar durante a troca.
Vale dizer primeiro: nem toda planilha precisa virar sistema. Ela continua sendo a ferramenta adequada para análise pontual, simulação, rascunho de um processo que ainda está mudando toda semana e relatório que uma pessoa monta para si mesma. Trocar isso por software é gastar dinheiro para perder flexibilidade.
Quase sempre ela faz mais do que parece: além do cadastro principal, tem a aba de apoio, a coluna oculta usada para conferência e o cálculo que alguém fez três anos atrás. Abra aba por aba e escreva o que cada uma resolve.
Dado é o que está guardado — clientes, pedidos, valores. Regra é o que a planilha calcula ou decide. Essa separação organiza o projeto: o dado vai virar banco, a regra vai virar código, e cada exceção da regra precisa ser explicitada agora.
É a etapa mais subestimada e a que mais atrasa. Você vai encontrar o mesmo cliente cadastrado três vezes com grafias diferentes, datas em formatos misturados, campos numéricos com texto dentro e registros que ninguém sabe se ainda valem. Migrar sujeira para um sistema novo só transfere o problema, com a agravante de que agora o sistema recusa o dado inconsistente.
Decida também o corte histórico: nem sempre vale trazer dez anos de registro. Traga o que a operação consulta e arquive o resto em um lugar acessível.
Um processo, de ponta a ponta, no ar e sendo usado de verdade. É melhor ter um módulo em produção do que seis pela metade — e o uso real vai dizer o que priorizar em seguida, com mais precisão do que qualquer reunião.
Manter planilha e sistema juntos por algumas semanas dá segurança para comparar resultados. Mas defina a data de corte desde o início: se a planilha continuar aceita "só por enquanto", ela continua para sempre, e a empresa passa a manter dois processos em vez de um.
Vale ser honesto sobre a troca, porque a resistência da equipe nasce da parte que ninguém menciona.
Ganha: histórico de quem fez o quê, permissões por perfil, edição simultânea sem conflito, cálculo confiável, dado disponível sem pedir para alguém extrair, backup de verdade.
Perde: a liberdade de digitar qualquer coisa em qualquer lugar. Sistema valida, exige campo obrigatório e recusa o que está fora da regra. Isso é o objetivo — mas para quem estava acostumado à planilha, parece burocracia nova. Explicar isso antes evita metade da resistência.
Tentar reproduzir a planilha na tela do sistema, célula por célula. O resultado é uma planilha pior, sem a flexibilidade do Excel e sem as vantagens de um software. O sistema deve resolver o processo que a planilha resolvia, não imitar o formato dela.
Se você quer discutir por onde começar essa transição na sua operação, fale com a Sixtec — o levantamento vem antes de qualquer proposta.
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