Por que a equipe não usa o sistema novo (e como resolver)
Sistema que funciona mas ninguém usa é o fracasso mais caro de um projeto. As seis causas reais da baixa adoção, o que fazer em cada uma e os dois núm...
Depois do go-live, o sistema continua consumindo orçamento todo mês. Infraestrutura, correções, mudanças de lei e de APIs, suporte e segurança: entenda a conta que quase nunca aparece na proposta comercial.
Mário Lucas 5 min de leitura
A pergunta mais cara sobre software não é quanto custa construir. É quanto custa manter — porque essa conta se repete todo mês, todo ano, enquanto o sistema estiver no ar, e quase nunca aparece na proposta comercial que a empresa aprovou.
Software não é obra com data de entrega. É operação. Entender essa conta antes de assinar evita a situação mais comum do mercado: a empresa investe pesado na construção, não reserva orçamento para a manutenção e, dois anos depois, tem um sistema que ninguém consegue mexer sem quebrar.
Servidores, banco de dados, armazenamento de arquivos, backup, monitoramento, domínio, certificados, envio de e-mail. É o item mais previsível e o único que a maioria das empresas já contabiliza. Cresce com o uso: mais usuários e mais dados significam mais custo, normalmente de forma gradual.
Correção de falhas encontradas em produção. Mesmo com boa cobertura de testes, o uso real revela o que homologação não revelou — combinações de dados que ninguém previu, comportamento sob volume, casos de borda.
É a categoria que pega as empresas de surpresa: o mundo em volta do seu sistema muda sem pedir licença. A legislação fiscal muda, o parceiro de pagamento descontinua a versão da API, o provedor de mensagens altera a política, o navegador para de aceitar uma tecnologia, a biblioteca que você usa recebe uma correção de segurança obrigatória.
Nada disso é culpa de ninguém e nada disso é opcional. É o custo de estar conectado ao mundo.
O negócio muda: novo produto, nova regra de comissão, nova filial, novo relatório que a diretoria passou a pedir. Se o sistema não acompanhar, a equipe volta para a planilha — e você perde exatamente o que tinha ganhado.
Dúvidas, treinamento de gente nova, ajuste de permissão, correção de dado lançado errado. Volume alto aqui costuma ser sintoma de problema de interface, não de usuário desatento.
Atualização de dependências, revisão de acessos, testes de restauração de backup, resposta a vulnerabilidades divulgadas. É o item mais fácil de adiar e o mais caro de negligenciar.
A referência mais usada no mercado é entre 15% e 25% do valor do desenvolvimento por ano, sem contar infraestrutura. Um sistema que custou um determinado valor para construir tende a consumir algo nessa faixa anualmente só para continuar funcionando e acompanhando o negócio.
O percentual sobe quando: existem muitas integrações com terceiros, o setor é regulado, o volume de usuários cresce rápido, ou o sistema foi construído sem testes e sem documentação — nesse último caso, cada mudança pequena exige entender de novo o que já foi feito.
E cai quando: a arquitetura é limpa, existe cobertura de testes sobre as regras críticas, a publicação é automatizada e há observabilidade em produção. Repare que são exatamente os itens que encarecem a construção — eles não são luxo de engenharia, são investimento antecipado na manutenção.
Adiar manutenção não elimina o custo; posterga e multiplica. O acúmulo acontece assim:
Reescrever do zero é o custo máximo: você paga de novo pelo que já tinha, sem ganhar nada novo, e ainda assume o risco da migração.
Em qualquer modelo, deixe escrita a diferença entre correção de falha (coberta) e escopo novo (orçado à parte). É a origem de quase toda discussão desagradável entre cliente e fornecedor.
Uma proposta que não responde essas seis perguntas não é mais barata que as outras — está incompleta. O raciocínio completo sobre a formação de preço está em Quanto custa desenvolver um software sob medida.
Na Sixtec, operamos em produção os produtos que criamos — e é por isso que tratamos manutenção como parte do projeto, não como surpresa depois dele. Se quiser dimensionar essa conta para o seu caso, fale com a gente.
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