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Três orçamentos com valores muito diferentes quase nunca descrevem o mesmo projeto. O que enviar aos fornecedores, o que exigir em cada proposta e como comparar sem escolher pelo número do meio.
Mário Lucas 5 min de leitura
A empresa pede orçamento a três fornecedores, recebe três valores muito diferentes e escolhe o do meio — porque o mais barato assusta e o mais caro não cabe. É o método mais usado do mercado e um dos piores, porque compara números que não descrevem a mesma coisa.
Orçamento de software só é comparável quando todo mundo estimou o mesmo escopo, com as mesmas premissas e o mesmo nível de responsabilidade. Conseguir isso é trabalho seu, e vale cada hora investida.
Um documento de duas a quatro páginas já resolve. Ele precisa conter:
Descreva a dor da operação, não a sua ideia de sistema. "A equipe refaz orçamento na planilha porque a tabela de preço muda toda semana" diz mais a um fornecedor competente do que uma lista de vinte telas.
Perfis de usuário, quantas pessoas em cada perfil e o que cada uma faz. Número de perfis é um dos fatores que mais mexe no esforço.
Pedidos, atendimentos, documentos ou transações por mês, e a expectativa para daqui a dois anos. Volume define arquitetura — se não for informado, não foi orçado.
ERP, emissor fiscal, meio de pagamento, WhatsApp, base legada. Para cada um: tem API, tem documentação, tem alguém que conhece? Integração é o item mais subestimado de qualquer proposta.
"Sempre funciona assim, menos quando o cliente é X" é a frase mais cara do projeto. Liste as exceções que você conhece — elas vão aparecer de qualquer jeito, e é melhor que apareçam agora.
Um resultado mensurável de operação, com o número de hoje. Sem ele, ninguém consegue priorizar nada depois.
Tão importante quanto a lista do que entra. Escopo sem fronteira explícita cresce em silêncio.
Peça, por escrito, que todas as propostas tragam estes sete itens. É o que torna a comparação possível:
Monte uma tabela com uma linha para cada item acima e uma coluna por fornecedor. Duas coisas aparecem imediatamente:
Propostas com escopos diferentes. Se uma estimou 600 horas e outra 1.800 para a mesma descrição, alguém entendeu outra coisa. Normalmente a mais baixa não incluiu migração de dados, integração real, testes ou implantação. Pergunte — a resposta costuma resolver a diferença.
O custo de três anos, não o do projeto. Some desenvolvimento, infraestrutura mensal e sustentação anual. A proposta mais barata na construção frequentemente é a mais cara no total, principalmente quando não inclui testes automatizados nem documentação: tudo o que for mudar depois vai custar mais caro para sempre.
Essa última pergunta é a mais reveladora: quem responde "entregaríamos menos funcionalidades, mas com a mesma qualidade" pensa como engenheiro. Quem responde "a gente dá um jeito" está dizendo que cortaria teste, documentação ou arquitetura — exatamente o que você vai pagar depois.
Contrate primeiro um diagnóstico da operação, pago e com entregáveis definidos: mapa do processo, escopo priorizado, proposta de arquitetura e estimativa com premissas escritas. Com esse documento na mão, você pede orçamento a quem quiser — inclusive a quem fez o diagnóstico — e todos estarão estimando exatamente a mesma coisa.
É a lógica descrita em Discovery: a etapa que decide o preço do seu projeto. Custa uma fração do desenvolvimento e é o que separa uma comparação real de três chutes com carimbo.
Se quiser fazer esse levantamento antes de fechar escopo com qualquer fornecedor, fale com a Sixtec.
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