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Como integrar um sistema novo ao ERP e aos softwares que já existem

Integração é o item que mais estoura prazo em projeto de software. As três perguntas que decidem a viabilidade, os quatro caminhos técnicos possíveis e os erros que aparecem sempre tarde demais.

Mário Lucas 4 min de leitura

Dois blocos lado a lado ligados por setas em direções opostas, um em cinza e outro em laranja

Integração é o item que mais estoura orçamento e prazo em projeto de software. Não porque seja difícil em si, mas porque quase sempre é tratada como detalhe técnico no fim da lista — quando na verdade determina se o novo sistema vai entrar no fluxo da empresa ou virar mais uma ilha de dados.

Este texto explica o que perguntar antes de assumir que "dá para integrar".

As três perguntas que decidem tudo

Para cada sistema que vai continuar existindo — ERP, emissor fiscal, meio de pagamento, CRM, base legada —, responda:

  1. Tem API? Existe uma forma documentada de o sistema conversar com outro programa, ou o acesso é só pela tela?
  2. Tem documentação? API sem documentação existe no papel e não na prática: o custo de descobrir como ela funciona por tentativa e erro é alto e imprevisível.
  3. Tem alguém que conheça? Um contato técnico do fornecedor que responda dúvidas. Sem isso, cada detalhe vira uma semana parada.

Três "sim" significam integração previsível. Um "não" em qualquer item já muda a estimativa de forma relevante — e precisa estar escrito como premissa na proposta.

Os quatro caminhos possíveis

API moderna

O cenário bom. O sistema expõe endpoints documentados, a autenticação é padrão de mercado e existe ambiente de teste. Integração vira trabalho de engenharia normal, com prazo estimável.

Integração por arquivo

Comum em ERPs mais antigos: os sistemas trocam arquivos em uma pasta ou por transferência automática, em horários definidos. Funciona bem, é barato de construir e tem uma limitação importante — o dado não é instantâneo. Se a operação exige informação em tempo real, esse caminho não serve.

Acesso direto ao banco de dados

Tecnicamente possível, e a opção mais arriscada. Qualquer atualização do outro sistema pode quebrar a integração sem aviso, e escrever direto no banco alheio pode corromper dados. Use só para leitura, só quando não houver alternativa, e com a consciência de que é uma solução temporária.

Automação de tela

Um robô que preenche a interface como se fosse uma pessoa. É o último recurso, para sistemas fechados sem nenhuma outra porta. Quebra a cada mudança visual do sistema de origem e exige manutenção constante. Serve como ponte enquanto se negocia acesso melhor, não como arquitetura definitiva.

O que costuma dar errado

  • Credencial que demora. Liberar acesso e ambiente de teste do parceiro leva semanas. Peça no primeiro dia do projeto, não quando o desenvolvedor precisar.
  • Ambiente de teste inexistente. Alguns fornecedores só têm produção. Integrar direto em produção significa testar cobrança real e nota fiscal real — é preciso combinar antes como isso será feito com segurança.
  • Limite de requisições. Muitas APIs limitam quantas chamadas você pode fazer por minuto. Se o seu volume ultrapassa esse limite, a arquitetura muda: entra fila, entra cache, entra sincronização em lote.
  • Divergência de cadastro. O mesmo cliente existe nos dois sistemas com grafias diferentes, ou o produto tem códigos distintos. Definir quem é a fonte da verdade para cada informação é decisão de negócio, não técnica — e precisa ser tomada antes de começar.
  • O que acontece quando o outro lado cai. O parceiro vai ficar fora do ar em algum momento. O sistema precisa saber enfileirar, tentar de novo e avisar alguém, em vez de simplesmente perder a informação.

Defina a fonte da verdade, campo a campo

É a decisão que evita a maior parte das confusões futuras. Para cada informação compartilhada, escreva onde ela nasce e para onde ela flui: o cadastro de cliente é criado no CRM e replicado no ERP; o preço é definido no ERP e apenas lido pelo novo sistema; o estoque é controlado no ERP e consultado em tempo real.

Sem esse mapa, duas telas mostram números diferentes e ninguém sabe qual está certo — o cenário que mais destrói a confiança da equipe em um sistema novo.

Integração não termina no go-live

APIs de terceiros mudam de versão, descontinuam campos e alteram regras de autenticação. Esse é um dos componentes do custo de manter um sistema, e por isso integração precisa ter monitoramento próprio: alguém tem que saber que a sincronização parou antes de o cliente perceber.

Na Sixtec, conectamos os sistemas que entregamos ao que já roda na operação — ERPs, emissores fiscais, meios de pagamento, e-mail e WhatsApp — justamente para o novo software entrar no fluxo existente. Se quiser mapear as integrações do seu caso antes de fechar escopo, fale com a gente.

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