Como funciona o desenvolvimento de um sistema: as 10 etapas explicadas
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O caminho da ideia até o primeiro usuário, na ordem certa: como definir o problema, cortar o escopo, escolher quem constrói e preparar a operação para adotar o sistema. Um guia para quem nunca fez isso.
Mário Lucas 5 min de leitura
Toda empresa que decide construir um sistema começa do mesmo jeito: alguém abre uma apresentação e começa a desenhar telas. É o passo errado — e é o que faz a maior parte dos projetos nascer grande demais, caro demais e desconectado da operação que deveria resolver.
Este texto descreve o caminho que funciona, na ordem que funciona, para quem nunca fez isso antes.
Antes de qualquer coisa, complete esta frase: "hoje, [quem] perde [quanto tempo ou dinheiro] porque [o que acontece]".
"Hoje, a equipe de atendimento perde três horas por dia refazendo orçamento no Excel porque o preço depende de uma tabela que muda toda semana." Isso é um problema. "Preciso de um sistema de gestão" não é — é uma solução chutada antes do diagnóstico.
Se você não consegue escrever essa frase, o projeto ainda não está pronto para começar. E se consegue escrever cinco frases diferentes, escolha uma: a que dói mais.
"Ter o sistema funcionando" não é um critério de sucesso — é um evento. O critério é o que muda na operação: fechar o mês em dois dias em vez de dez, reduzir o retrabalho de orçamento pela metade, atender o dobro de clientes com a mesma equipe.
Escreva esse número antes de começar e meça ele hoje. Sem a medição de hoje, você nunca vai conseguir provar que o investimento valeu.
Não como deveria acontecer. Sente ao lado de quem executa e anote cada passo: quem faz, em que sistema, quanto tempo leva, o que trava, onde a informação é copiada de um lugar para outro na mão.
Preste atenção especial nas planilhas paralelas e nos combinados informais entre setores. Toda planilha que a equipe usa fora do sistema oficial é um requisito que ninguém escreveu — e é a fonte mais confiável do que o novo sistema precisa fazer.
O software vai automatizar o processo que você descrever. Se o processo descrito for o imaginado, o sistema vai automatizar uma empresa que não existe.
Aqui está a decisão que mais influencia o resultado. Pegue a lista de tudo que o sistema "precisa" ter e pergunte de cada item: se isso não existir no primeiro mês, a operação para?
O que não para fica para depois. A primeira versão deve resolver um fluxo, para um perfil de usuário, de ponta a ponta. É melhor ter um módulo em produção sendo usado de verdade do que seis módulos meio prontos em homologação.
Um sistema pequeno no ar também te ensina mais em duas semanas do que três meses de reunião: o uso real mostra o que priorizar em seguida.
Freelancer, agência, empresa de software ou equipe interna — cada opção tem um perfil de risco diferente, especialmente no que acontece depois da entrega. O que não muda é o que você deve exigir em qualquer cenário: propriedade do código, infraestrutura em contas da sua empresa, ambientes separados de teste e produção, testes automatizados sobre as regras críticas e documentação entregue.
Esse conjunto está detalhado em 10 exigências antes de contratar uma empresa de desenvolvimento.
É o item mais chato e o que mais atrasa projeto. Faça a lista agora:
Esse último ponto vale mais para o prazo do que um desenvolvedor a mais no time.
Você não deveria ver o sistema pela primeira vez no fim do projeto. A partir das primeiras semanas deve existir um ambiente navegável onde a equipe testa o que foi construído.
E quem testa precisa ser quem vai usar. Gestor validando no lugar do operador é a receita mais comum para a correção aparecer em produção, na frente do cliente.
Sistema bom que ninguém usa é dinheiro perdido. Antes de virar a chave, resolva:
Depois que o sistema entra no ar, três coisas passam a existir: dados reais mostrando o que priorizar, erros que só aparecem em produção e pedidos de melhoria da equipe. Reserve orçamento e agenda para isso desde o início — software é operação contínua, não obra com data de entrega.
Se você já tem a frase do problema escrita e quer discutir o caminho para o seu caso, fale com a Sixtec — começamos entendendo a operação antes de propor qualquer sistema.
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